14/11/2011
Entrevista com Sr. Joaquim Maria Botelho

Presidente da União Brasileira dos Escritores. 

ICAL – COMO VOCÊ COMEÇOU A ESCREVER?
JMB - Desde sempre, fui criado num ambiente de livros, de pais literários. Tive uma rica vida intelectual, com conversas abertas e transparentes dentro de casa.  Mas custei a escrever, talvez devido à sombra de minha mãe, jornalista. Gosto de ensaios, contos curtos.  E deve-se escrever sempre pensando que vai dar certo e, mesmo errando, deve-se ser perdoado.

ICAL – COMO CHEGOU Á PRESIDÊNCIA DA UBE?
JMB  – Consegui alguns prêmios na área jornalística e aceitei um desafio: paticipar de um concurso cujo prêmio seria uma viagem à ilha de Fernando de Noronha. Ganhei e fiz o passeio. Escrevi de uma vez só um livro chamado “Bichos”. Como minha mãe ia muito à UBE, eu comecei cedo a frequentá-la também e, num certo momento achei que devia organizar melhor meu pensamento literário. Fiz Mestrado em Crítica Literária e transformei minha tese em livro.  Um dia recebi o convite para integrar os quadros da UBE como Tesoureiro. Fui-me envolvendo cada vez mais e recusando outras ofertas, até que aceitei a Presidência, em 2009, com o desafio de  renovação da própria UBE.

ICAL  – QUAL SUA OPINIÃO FRENTE À DEMANDA DE LIVROS QUE ESTÃO SURGINDO NO BRASIL: O BRASIL ESCREVE MAIS E LÊ MAIS?
JMB – Sim, o Brasil escreve mais: 22.000 títulos novos no ano passado. Este fenômeno tem muito a ver com a demanda crescente da classe emergente (operários) que consome livros sem conteúdo, porque dá prestígio e status. Há também uma série de programas e oficinas literárias que incentivam a leitura e escrita.  No entanto, na maioria das vezes falta qualidade à toda esta produção. Mas estas oficinas são boas porque dão oportunidade e facilidade para aflorarem  talentos.

ICAL– QUAL SUA OPINIÃO DIANTE DOS LIVROS ELETRÔNICOS?
JMB – São bons, porém jamais vão ocupar o lugar do livro de papel.

ICAL – COMO SUA LITERATURA INTERFERIU NA SUA VIDA?
JMB – A literatura faz parte de minha vida de uma maneira muito boa e queria que ela pudesse também influenciar a vida de outros, desta maneira. Mas tudo já foi feito na literatura; apenas a maneira de ver ou sentir é que muda, porque nós mudamos. Literatura é Linguagem e ela muda com o tempo.

ICAL– POR QUE É TÃO DIFÍCIL PUBLICAR ATRAVÉS DAS LEIS DE INCENTIVO À CULTURA?
JMB – Realmente é complicado, há muita burocracia, mas há outros caminhos, como os das próprias Editoras. Mas o caminho para se chegar às Editoras é longo, pois há enorme gama de originais que chegam às elas para análise crítica, revisão etc. e que demandam pelo menos um ano ou dois para uma seleção final.  Acho que o Governo poderia abrir outros caminhos. Este assunto será tratado no Congresso.

ICAL– O QUE ESPERA COM O CONGRESSO DE ESCRITORES QUE ACONTECERÁ DIA 12 DE NOVEMBRO EM RIBEIRÃO PRETO?
JMB – Um Grande Encontro Estético. Um Congresso militante frente à política cultural brasileira.. É necessário ouvir a classe e não apenas as instituições. E nascer um Protocolo que sáia da superficialidade e alcance novos patamares.

ICAL – QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A SELEÇÃO DE LIVROS/AUTORES PARA A CLASSE DISCENTE?
JMB – Há um sistema aberto no Ministério da Educação. Porém, quem seleciona estes livros não tem, via de regra, educação ou conhecimento para fazê-lo. Deveria ser o Governo junto ao Autor, para uma escolha acertada de livros didáticos.

ICAL– O QUE ESPERA COMO PRESIDENTE DA UBE?
JMB - Organizar melhor a área literária brasileira, e nisso conto com a colaboração do movimento literário brasileiro. A UBE não pode fazer isso sozinha. Precisa de dinheiro, idéias e gente trabalhando para modificar o atual cenário brasileiro.

ICAL – A UBE PODERÁ UM DIA DITAR REGRAS PARA O ESCRITOR?
JMB – A UBE não dita regras, a não ser os pressupostos que sustentam uma produção de qualidade: linguagem e criatividade.

ICAL - SOBRE DIREITOS AUTORAIS
JMB - Já existem leis sobre o assunto. Não é necessário haver mais nenhuma, talvez outros mecanismos para validar a lei.

ICAL - SOBRE JORNALISMO
JMB - No Brasil, o jornalismo é meio-show. Visto mais como entretenimento, sem considerar o conteúdo. E a novela dita moda, sotaque etc.

Presentes:
Ana Maria Maruggi
Dinah Choichit
Eliana Dau Pelloni
Carmen Lucia Raso
Responsável: Suzana da Cunha Lima

www.ube.org.br
Rua Rego Freitas 454 – conj. 121 – 12 andar
Tel. 3231 4447



HOME | INSTITUTO | PROJETOS | EVENTOS | NOTÍCIAS | COLUNISTAS | ASSOCIE-SE | PARCEIROS | CONTATO

© 2010 ICAL - Instituto Cultural Artístico Literário do Brasil
Todos os direitos reservados.

Projeto e Desenvolvimento: OnFoccus Internet Service